Quarta, 28 Julho 2010 13:45
Campeões nas dádivas de sangueAssociação da Feira considerada exemplar em recolhas e mobilização
JN 2010-07-23 Salomão Rodrigues
A Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Santa Maria da Feira é a que mais recolhas faz a nível nacional, conseguindo mais de 15 mil dádivas por ano (a média do país é de 400 mil). Sensibilizar os mais novos para entrar neste clube de campeões é a aposta.
Campeões nas dádivas de sangue
Associação feirense tem núcleos de recolha em cada freguesia
São operários, vendedores, médicos ou empresários. E são também verdadeiros heróis que, todas as semanas, passam despercebidos entre a população. Unidos apenas por uma inabalável determinação e sentido de solidariedade, salvam vidas de crianças, mulheres e homens. Dão o que de mais valioso têm: o sangue.
Fazem parte do "exército", criado pela Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Santa Maria da Feira, instituição que, em 19 anos de existência, conseguiu formar núcleos de dadores nas 31 freguesias do concelho e, desta forma, mobilizar um número de presenças para colheita que, em 2009, totalizou as 16 642.
"Somos o concelho que mais ajuda dá para que o nosso país [que tem cerca de 400 mil recolhas por ano] consiga a auto suficiência" refere o presidente da associação, Serafim Reis. Mas para alcançar a posição cimeira foi preciso trilhar um caminho difícil.
"Nos primeiros anos, andamos de paróquia em paróquia, a pedir aos padres que divulgassem nas missas a iniciativa e a colocar cartazes informativos.As pessoas começaram a aderir de uma forma especial que nos surpreendeu ", recorda Serafim Reis. No primeiro ano, a associação conseguiu 1026 dádivas, número longe do do ano passado com 15513 presenças. Este ano já se caminha para as oito mil.
O trabalho seguiu com a criação dos núcleos e solicitações ao comércio, a empresários e à Câmara, que não se mostraram rogados em colaborar. A mobilização passa ainda pela colocação de cartazes e anúncios na Imprensa.
Essa dinâmica permite à associação efectuar duas recolhas por semana na sede da instituição e aos fins-de-semana nas diferentes freguesias do concelho, sempre com um elevado número de presenças e com gestos de solidariedade que impressionam.
"Em Canedo temos dadores que caminham mais de uma hora para dar sangue e depois tentam arranjar boleia para voltarem a casa", diz Serafim Reis. Mas os exemplos da determinação dos feirenses são muitos. Em Lourosa, por exemplo, onde o núcleo local chega a reunir mais de 300 dadores numa só colheita, "há quem espere mais de uma hora, aguardando a sua vez para dar sangue e mesmo assim não desistem".
"Podia até haver mais dadores se a recolha fosse mais rápida", vinca Serafim Reis. Mas são reduzidos os técnicos disponibilizados pelo Centro de recolha de Coimbra, sob a responsabilidade do Instituto Português do Sangue.


